Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 12:25
fim do foro

Flávio Bolsonaro ficará sem cargo e foro pela 1ª vez em 24 anos

Senador pelo Rio de Janeiro acumulou 59,8 milhões de votos (48,21%) contra 64,3 milhões (51,79%) de Lula; término do mandato ocorre em fevereiro de 2027

2 min de leitura
O candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), fala com jornalistas após ser derrotado no segundo turno das eleições pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Brasília (DF), 25/10/2026 - O candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), fala com jornalistas após ser derrotado no segundo turno das eleições pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficará sem cargo público e perderá a prerrogativa de foro privilegiado a partir de fevereiro de 2027, quando se encerra o seu mandato no Senado Federal. O resultado do segundo turno das Eleições 2026, confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com 100% das urnas apuradas, registrou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 64,3 milhões de votos (51,79%), enquanto o parlamentar do PL obteve 59,8 milhões de votos (48,21%).

A perda do mandato marcará a primeira vez em 24 anos que o político não ocupará uma função eletiva, trajetória iniciada em 2002.

Ano do PleitoCargo DisputadoUnidade da Federação / PartidoResultado
2002Deputado EstadualRio de Janeiro (PPB)Eleito
2006Deputado EstadualRio de Janeiro (PP)Eleito
2010Deputado EstadualRio de Janeiro (PP)Eleito
2014Deputado EstadualRio de Janeiro (PP)Eleito
2016PrefeitoRio de Janeiro (PSC)Não eleito
2018SenadorRio de Janeiro (PSL)Eleito
2026Presidente da RepúblicaBrasil (PL)Não eleito (2º Turno)

Posicionamento do candidato e investigações em curso no STF

Em declarações prestadas após a divulgação dos resultados oficiais do TSE, Flávio Bolsonaro classificou o desfecho das urnas como “sacanagem”, afirmou ser “impossível” reconhecer o resultado e indicou que acionará a Justiça Eleitoral para pedir a anulação do pleito.

A perda do foro privilegiado a partir de fevereiro de 2027 implicará o envio de eventuais novos procedimentos investigativos para a primeira instância da Justiça comum. No entanto, inquéritos já instaurados que tratem de atos praticados durante o exercício e em razão das funções parlamentares permanecerão sob a jurisdição do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme jurisprudência fixada pela Corte Suprema.

Atualmente, o parlamentar é alvo de duas apurações formais no STF:

  • Inquérito da Cinebiografia (Dark Horse): Apura supostas negociações de repasses financeiros no valor de R$ 130 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos para o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
  • Inquérito de Acesso Operacional Bancário: Apura a inclusão do nome do senador como “usuário master” em uma conta bancária do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, o que indicaria participação societária de fato segundo análise da Polícia Federal.

Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz negam a existência de negócios conjuntos. O senador exercerá o mandato no Congresso Nacional até a posse dos novos eleitos, em fevereiro de 2027.

Autor

Sobre o autor

Magno Araujo

Sou jornalista formado pela Estácio. Atuo na cobertura política e, recentemente, passei a explorar também o jornalismo esportivo, com atenção especial as pautas do Recôncavo Baiano.