Terça-feira, 27 de outubro de 2026 20:10
Política

EUA vão dar vistos a Flávio Bolsonaro e à família

Aliados dizem que o senador embarcou, mas investigadores não têm registro formal de saída

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flávio bolsonaro com microfone discursando
Foto: Charles Vieira

O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que vai conceder vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e à família e que permitirá a entrada deles no país. O governo de Donald Trump não disse se o senador já está em território americano. Segundo o jornal O Globo, aliados dizem que ele embarcou para os EUA, mas os investigadores afirmam não haver registro formal de saída do Brasil, ou seja, ele não teria passado por nenhum posto de imigração.

O que dizem os aliados

Cinco interlocutores de Flávio foram informados de que ele teria embarcado para os EUA, depois da ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a apreensão dos passaportes. Segundo essas pessoas, a ideia de deixar o país foi discutida com aliados já no domingo (25). A princípio, só a mulher e as filhas viajariam, por segurança. A avaliação mudou, dizem, depois da decisão de Moraes: contrariado e convencido de que poderia ser preso, o senador teria decidido acompanhar a família.

A defesa do senador ainda não se pronunciou sobre a saída do país. Aliados e advogados disseram que não conseguiram contato com ele nesta terça. Os advogados afirmaram que havia um encontro marcado pela manhã para recolher os passaportes, que não ocorreu porque a equipe não localizou o senador. O coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-SP), respondeu à pergunta se Flávio havia fugido dizendo que ele estava no Brasil, e enviou à reportagem a declaração de um porta-voz do governo argentino, publicada pela Bloomberg, de que ele não entrou na Argentina.

Passaportes e a ordem de Moraes

Na segunda-feira (26), a Polícia Federal (PF) intimou Flávio, por ordem de Moraes, a entregar os passaportes em até 24 horas e o proibiu de deixar o país. Em vídeo nas redes sociais, ele disse ter sido abordado no meio da rua ao sair do condomínio onde mora, no Lago Sul, em Brasília, a caminho da casa do pai, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração”, afirmou, dizendo que a decisão se baseou numa fala do irmão, Eduardo Bolsonaro.

O prazo terminou nesta terça sem a entrega, e a PF cancelou os passaportes dele, segundo O Globo. A Folha informou que o documento italiano, do qual Flávio tem cidadania, segue válido.

Rota e voo: o que se sabe

O primeiro relato de uma saída foi do site argentino Infobae, na madrugada de terça: Flávio teria entrado na Argentina por Puerto Iguazú para pegar um voo particular para Miami. O voo foi cancelado, e o jornal Clarín disse que a explicação dada foi que “um dos passageiros teve um problema” e que a lista de passageiros não foi entregue à migração.

Em nota, a Direção Nacional de Imigração e a Casa Rosada, sede do governo argentino, disseram que não registraram entrada de Flávio, que a documentação da empresa aérea está regular e que nenhum plano de voo incluía a família Bolsonaro. Pela versão de aliados publicada pela Folha, o senador decolou de outro ponto da Argentina, e o nome na lista em Puerto Iguazú foi um despiste. Essa versão não foi confirmada.

Segundo O Globo, na noite de segunda houve reunião de Flávio com aliados, entre eles Marinho e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e depois um comboio de carros saiu da casa dele, no Lago Sul, por volta das 20h. Não se sabe se ele ou a família estavam nos veículos.

Inquéritos e foro privilegiado

Flávio é alvo de dois inquéritos no STF. Em um, sob relatoria de Moraes, a PF apura suspeitas de participação dele em suposto esquema de lavagem de dinheiro que envolve o advogado Willer Tomaz, que está fora do país desde agosto, segundo a PF. O outro apura o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro que recebeu recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os dois são investigações, e o material não traz a defesa nesta matéria.

O mandato de senador vai até fevereiro de 2027. Pelo entendimento fixado pelo STF em março de 2025, por sete votos a quatro, e complementado em maio, as investigações sobre crimes ligados ao mandato permanecem no Supremo mesmo depois que a pessoa deixa o cargo. No caso de Flávio, isso dependerá de os fatos se enquadrarem nesses critérios, segundo O Globo.

Contexto: a fala de Eduardo Bolsonaro

Na sexta-feira (23), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mora nos EUA, disse a um programa americano ser a favor de que o irmão saísse do país se perdesse a eleição, e que Flávio deveria contestar o resultado. Lula (PT) foi reeleito no domingo (25). Segundo Flávio, Moraes se baseou nessa fala na decisão sobre os passaportes.

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Sobre o autor

Magno Araujo

Sou jornalista formado pela Estácio. Atuo na cobertura política e, recentemente, passei a explorar também o jornalismo esportivo, com atenção especial as pautas do Recôncavo Baiano.