O assassinato de Mãe Bernadete volta ao Tribunal do Júri nesta quarta-feira (21), em Salvador. Sérgio Ferreira de Jesus, apontado como participante da articulação do crime, será julgado a partir das 8h, no Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré. A sessão será conduzida pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos.
De acordo com a acusação, Sérgio teria contribuído para a execução da líder quilombola após um desentendimento com ela. Entre as condutas atribuídas ao réu estão a orientação sobre como chegar até a vítima e o recebimento de celulares roubados de Mãe Bernadete e de familiares durante a ação criminosa.
O julgamento busca definir a responsabilidade penal de Sérgio no homicídio. A decisão ficará a cargo de sete jurados, escolhidos por sorteio entre 25 cidadãos convocados para a sessão. Em caso de condenação, a juíza será responsável por fixar a pena.
Três acusados já foram condenados
O julgamento desta quarta-feira integra a sequência de processos contra os cinco homens apontados como envolvidos no assassinato. Três deles já receberam condenações.
Em outubro, Josevan Dionísio dos Santos, apontado como autor dos disparos que mataram a ialorixá, foi condenado a 28 anos de prisão, em regime inicial fechado. Arielson da Conceição dos Santos, também identificado como executor, recebeu pena de 40 anos, cinco meses e 22 dias de reclusão.
Já Marílio dos Santos, apontado pela acusação como mandante do crime, foi condenado a 29 anos e nove meses de prisão em julgamento realizado em abril. Ele morreu dois dias depois da sessão.
Um julgamento ainda ficará pendente
Depois da sessão de Sérgio, faltará julgar Ydney Carlos Santos de Jesus, suspeito de colaborar com o planejamento do assassinato. O processo ainda aguarda o trânsito em julgado e não tem data definida para o Tribunal do Júri.
A conclusão dos julgamentos busca estabelecer a responsabilidade individual dos acusados pelo crime que vitimou Mãe Bernadete, liderança religiosa e referência na defesa dos direitos das comunidades quilombolas na Bahia.
Relembre o caso
Aos 72 anos, Maria Bernadete Pacífico Moreira foi assassinada a tiros dentro de casa, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, em 17 de agosto de 2023.
A investigação da Polícia Civil relacionou o crime à atuação da líder comunitária contra os interesses do tráfico de drogas na região. Referência na defesa dos direitos quilombolas, Mãe Bernadete teve a morte repercutida nacionalmente, mobilizando organizações sociais e entidades de direitos humanos.
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