A mortalidade hospitalar provocada pelo Acidente Vascular Cerebral (AVC) do tipo hemorrágico atingiu 30,8% no país, número quase três vezes superior à taxa de 11,8% registrada em casos de AVC isquêmico. Os dados integram um estudo retrospectivo da Plataforma DRG Brasil, conduzido pelo Grupo IAG Saúde, que analisou 157,6 mil internações de pacientes a partir de 14 anos registradas no sistema entre janeiro de 2020 e junho de 2026.
A publicação do levantamento ocorre no contexto da Campanha Nacional de Combate ao AVC, coordenada pela Rede Brasil AVC em alusão ao Dia Mundial de Combate ao AVC, marcado em 29 de outubro.
Demandas de UTI, perfil etário e estimativa de custos
Conforme o levantamento, o AVC isquêmico responde pela maioria dos diagnósticos (45,6%), seguido pelo AVC não especificado (35,9%) e pelo tipo hemorrágico (18,6%). Apesar de ser menos frequente, a apresentação hemorrágica — caracterizada pelo rompimento de vasos sanguíneos no cérebro — exige maior utilização de recursos de alta complexidade.
O tempo médio de internação no AVC hemorrágico alcançou 13,2 dias, contra 9,0 dias no isquêmico. A admissão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foi necessária em 67,6% das ocorrências hemorrágicas, frente a 36,5% nas isquêmicas. O uso de ventilação mecânica também apresentou diferença expressiva: 39,1% no tipo hemorrágico contra 12,3% no isquêmico.
A análise por faixa etária apontou que 85,4% dos casos gerais de AVC concentram-se em pessoas acima de 50 anos. Contudo, jovens e adultos de 14 a 50 anos representaram 24,2% das internações por AVC hemorrágico — proporção duas vezes maior que a observada no AVC isquêmico (12,3%).
Em termos financeiros, o custo médio previsto por internação para o AVC hemorrágico foi estimado em R$ 43.959,29, ante R$ 22.117,79 para o tipo isquêmico. O custo total projetado para os 157,7 mil casos analisados somou R$ 3,82 bilhões, considerando o ano fiscal de 2026.
| Indicador de Internação | AVC Hemorrágico | AVC Isquêmico |
| Mortalidade hospitalar | 30,8% | 11,8% |
| Permanência média (dias) | 13,2 | 9,0 |
| Necessidade de UTI | 67,6% | 36,5% |
| Uso de ventilação mecânica | 39,1% | 12,3% |
| Custo médio previsto | R$ 43.959,29 | R$ 22.117,79 |
Como reconhecer os sinais de alerta com a regra “VÁ De SAMU”
A velocidade de atendimento é determinante para reduzir sequelas e riscos de óbito. Segundo a médica neurologista Dra. Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, a identificação rápida dos sintomas deve orientar o acionamento de emergência. A especialista recomenda a memorização do acrônimo VÁ De SAMU:
- V (Visão alterada): Perda ou alteração súbita na visão em um ou ambos os olhos.
- De (Desequilíbrio): Tontura intensa, perda de coordenação ou dificuldade para andar.
- S (Sorria): Paralisia facial; peça para a pessoa sorrir e observe se a boca entorta.
- A (Abrace): Perda de força muscular; peça para levantar os dois braços e note se um cai.
- M (Mensagem/Música): Dificuldade na fala; peça para articular uma frase e avalie a clareza.
- U (Urgente): Ao constatar qualquer um desses sinais, ligue imediatamente para o SAMU pelo número 192.
Cerca de 80% a 90% dos episódios de AVC estão associados a fatores de risco modificáveis. A prevenção envolve o controle rigoroso da pressão arterial, colesterol e diabetes, combate ao tabagismo, manutenção de peso adequado e rotina regular de atividades físicas.